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Você conhece o Efeito Dunning-Kruger ou a Síndrome do Impostor? Esses são exemplos de viés cognitivo que estão muito presentes no nosso cotidiano, mas que nem sempre conhecemos as situações por seus nomes corretos. Quer ver?

viés cognitivo efeito dunning-kruger síndrome do impostor gráfico

O Efeito Dunning-Kruger remete àqueles casos em que você se depara com uma pessoa visivelmente ignorante em um determinado assunto, mas que se autoproclama informada, ao mesmo tempo em que desconsidera as opiniões dos outros, julgando-os como equivocados.

Na bipolaridade política em que vivemos tem sido bem comum ver esse tipo de viés cognitivo nos dois extremos. São pessoas que só olham para as notícias, informações e estatísticas que lhes interessam, ignorando todo o resto. Para eles, o pouco conhecimento que possuem parece a verdade absoluta e a percepção de sua ignorância não existe.

No gráfico acima, essas pessoas estariam no ponto vermelho, onde elas sabem muito pouco, mas acham que sabem muito e, com isso, passam a ter um “gap de habilidade”.

Já a Síndrome do Impostor é praticamente o contrário. Trata-se daquele sujeito que é claramente um expert ou sabe muito de um assunto, questão ou habilidade, mas simplesmente não consegue se enxergar como tal e, ao contrário, se considera uma espécie de “fraude” quando colocado nessa posição de referência.

Essa síndrome pode ocorrer com estudiosos tímidos por exemplo, que por mais que entendam bastante de um assunto, não conseguem defender as suas ideias, se colocando muitas vezes com uma percepção de que ainda precisam aprender muito mais.

No gráfico acima, essas pessoas estariam no ponto verde, onde elas sabem muito, mas acham que sabem muito pouco e, com isso, passam a ter um “gap de percepção” em relação ao seu conhecimento.

Talvez uma dessas situações (tanto do efeito Dunning-Kruger, como da Síndrome do Impostor) já tenham acontecido com você e a parte mais “assustadora” disso tudo é que tanto aquele ignorante presunçoso quanto o especialista desconfiado podem ser você e você nem sabe!

No final das contas, se você for cair em um desses vieses, é bem provável que a sua linha de aprendizado sobre um determinado assunto siga mais ou menos como o gráfico abaixo:

viés cognitivo gráfico efeito dunning-kruger síndrome do impostor

Você começa com pouco conhecimento, mas por algum motivo, pode se sentir “conhecedor” (pico da estupidez). Se tiver a humildade de entender a sua ignorância no assunto, vai começar a aprender (descida do aprendizado) até chegar em um momento em que, mesmo com algum conhecimento, vai duvidar do que realmente sabe (vale do desespero). Se tiver persistência, autoconhecimento e análise crítica será o momento de adquirir mais noção do que realmente sabe (subida da experiência e escalada da iluminação) até chegar no momento em que você realmente domina um assunto e tem a percepção do que sabe e deixa de saber sobre ele (platô da sabedoria).

Por isso, vale a pena conhecer um pouco mais sobre esses fenômenos:

O que é Viés Cognitivo?

Viés cognitivo é um tipo erro de pensamento ou atalho mental. Ele acontece quando criamos padrões com base em nossas próprias experiências, percepções e interpretações do mundo ao nosso redor.

O viés cognitivo é, portanto, uma tentativa de nosso cérebro de simplificar o processamento de informações, a fim de agilizar a tomada de decisão. Mas ele acaba por distorcer nosso julgamento da realidade racional e lógica, afetando nossas escolhas finais.

viés cognitivo efeito dunning-kruger síndrome do impostor codex

O conceito de viés cognitivo foi apresentado pela primeira por Amos Tversky e Daniel Kahneman, em 1972.

A lista de vieses é imensa (como você pode ver no codex acima). Nesse artigo quero focar nesses dois: o Efeito Dunning-Kruger e a Síndrome do Impostor, pois eles vão afetar como você se comporta em redes sociais, conversas, discussões, apresentações e em todos os tipos de formas de exposição.

O que é a síndrome do impostor

A síndrome do impostor é o viés cognitivo segundo o qual você não acredita que seja tão competente quanto os outros acham que você seja. É basicamente quando você se sente um impostor, uma fraude que, em algum momento, será desmascarado, porque só chegou onde está por pura sorte.

Em geral, o viés cognitivo da síndrome do impostor tem a ver com as suas experiências no que diz respeito à inteligência e realização e, com frequência, estão ligadas ao perfeccionismo, pressão social e ansiedade.

O termo “síndrome do impostor” foi introduzido pela primeira vez pelas psicólogas Suzanne Imes e Pauline Rose Clance nos anos 70. O conceito foi desenvolvido analisando-se a experiência de mulheres de alta performance daquela época e, atualmente, se expandiu para outros contextos.

Como identificar se você tem a síndrome do impostor

Os sinais mais comuns do viés cognitivo da síndrome do impostor incluem:

  • Duvidar de si mesmo;
  • Não ser capaz de identificar suas próprias habilidades e talentos;
  • Atribuir o próprio sucesso à sorte ou a fatores externos;
  • Autodepreciar-se;
  • Temer não alcançar as expectativas alheias;
  • Sabotar o próprio sucesso;
  • Estabelecer metas ambiciosas demais e não as cumprir.

Como superar a síndrome do impostor

Se você acredita que tem alguns desses “sintomas”, pode pensar em formas para superar a síndrome do impostor.

Para começar, você precisa confrontar as crenças limitantes que você tem sobre si mesmo. Isso pode ser bastante desafiador, especialmente no início, quando identificá-las já parece muito complicado. Mas aqui vão algumas técnicas que podem ajudar você:

  • Compartilhe seus sentimentos. Conte a alguém como você se sente. Essa é uma maneira de fazer com que suas crenças negativas venham à tona. Quando você não conversa a respeito, elas tendem a se esconder.
  • Concentre-se nos outros. Tente ajudar pessoas que parecem estar na mesma situação que você. Por exemplo, se alguém lhe parecer sozinho, tente enturmá-lo. Isso vai melhorar sua autoconfiança.
  • Avalie suas habilidades. Se você se considera inapto ou incompetente em qualquer esfera, tente fazer uma avaliação realista de suas capacidades. Uma maneira simples é escrever tudo o que você já conquistou e as coisas em que você é bom. Você pode fazer isso em um diário da gratidão, por exemplo.
  • Dê um passo por vez. Seja minimalista em sua mudança de comportamento. Não tente fazer tudo perfeitamente. Ao contrário, foque em fazer uma coisa por vez, suficientemente bem.
  • Não se compare. Sempre que você se compara com alguém, você está suscetível a encontrar uma falha em si mesmo.
  • Reduza as mídias sociais. Estudos comprovam que as redes sociais aumentam o sentimento de inferioridade. E, por isso, frequentemente tentamos passar uma imagem que não é realmente o que somos, piorando a sensação de fraude.
  • Não desista. Não importa quão inadequado você se sinta em algum lugar ou circunstância, não deixe de perseguir suas metas e objetivos.

O que é o Efeito Dunning-Kruger

O efeito Dunning-Kruger é um viés cognitivo praticamente oposto à síndrome do impostor. Nesse caso, você se considera mais esperto, capaz ou habilidoso do que de fato é. Por meio desse viés cognitivo, as pessoas mais ignorantes não têm capacidade de reconhecer a sua própria incompetência e, por isso, acabam se superestimando.

O efeito Dunning-Kruger leva o nome dos dois psicólogos sociais que descreveram tal viés cognitivo pela primeira vez: David Dunning e Justin Kruger. Eles descobriram esse fenômeno por meio de quatro pesquisas investigativas.

Os testes realizados mostraram que as pessoas com a menores pontuações em gramática, humor e lógica eram também aquelas que acreditavam que tinham se saído muito bem.

Isso demonstrou que essas pessoas, além de pouco hábeis, não têm capacidade de avaliar seu próprio trabalho e, por isso mesmo, se acham melhores do que são – e melhores do que os outros.

Como identificar se você tem o efeito Dunning-Kruger

Os sinais mais comuns do viés cognitivo do efeito Dunning-Kruger incluem:

  • Não reconhecer sua própria baixa performance;
  • Ser incapaz de se autocorrigir;
  • Não saber receber críticas;
  • Buscar desculpas para suas falhas e fracassos;
  • Não aceitar bem as opiniões alheias;
  • Fazer planos em excesso para um determinado período e não os cumprir;
  • Tentar fazer muitas coisas ao mesmo tempo.

Como superar o efeito Dunning-Kruger

A primeira coisa que você precisa fazer é reconhecer que você pode estar de fato vivendo esse viés cognitivo e, portanto, tentar aprender um pouco mais a respeito dele. Outras dicas práticas incluem:

  • Não faça escolhas precipitadamente. As pessoas costumam se sentir mais confiantes ao tomarem decisões rapidamente. O ideal é que você pare e reserve um tempo para analisar as possibilidades.
  • Não confie em suas suposições. Desafie sua própria intuição e não acredite nas primeiras ideias que surgirem em sua mente. Essa é uma maneira de aprender a distinguir certo e errado.
  • Descubra novas possibilidades. Se você aplica sempre a mesma lógica e/ou raciocínio aos problemas que aparecem em seu caminho, tente novas abordagens, que rompam com seus padrões de pensamento.
  • Aceite críticas. Ouça o que disserem a você, tente compreender de onde vêm as críticas, peça exemplos e esclarecimentos a respeito daquilo que você não concorda. Sempre investigue o que você pode melhorar.
  • Questione suas crenças sobre si mesmo. Tire um tempo para analisar principalmente aquelas opiniões antigas que já estão enraizadas em você, tais como ser bom em matemática ou falar bem em público. Verifique se isso ainda é verdadeiro.
  • Esteja aberto a aprender. A curiosidade e o interesse em continuar melhorando é uma das melhores maneiras de evitar o efeito Dunning-Kruger.

O que fazer no dia a dia

Eu gosto de pensar em três princípios básicos que você pode aplicar em seu dia a dia, para evitar ambos os vieses cognitivos descritos acima. São eles:

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  • Pergunte aos outros o que você está fazendo

Tanto no que tange à síndrome do impostor quanto ao efeito Dunning-Kruger, perguntar a opinião das outras pessoas pode ajudá-lo a ter uma perspectiva mais realista a respeito das suas atitudes e do seu trabalho.

Pode ser doloroso escutar críticas, mas, quando você recebe feedback de pessoas de sua confiança, você desenvolve uma noção mais apurada de suas próprias habilidades, talentos e conhecimento.

  • Questione o que você sabe

Mesmo quando você ouve as outras pessoas, é mais fácil que você se agarre às opiniões que confirmam aquelas crenças que você já tem a respeito de si mesmo – sejam elas boas, como no efeito Dunning-Kruger, ou ruins, com a síndrome do impostor.

Por isso, para evitar que isso aconteça, além de conversar com os demais, desafie suas próprias crenças, expectativas e ideias pré-concebidas a respeito de si mesmo.

  • Continue aprendendo

Finalmente, nunca pare de buscar conhecimento e de praticar. Essa busca por aperfeiçoamento servirá tanto para evitar que você se considere melhor do que realmente é, quanto para que você aumente sua autoconfiança, combatendo ambos os vieses. Afinal, sempre há algo novo para você aprender, desenvolver e melhorar

Rafael Avila

Carioca, empreendedor, sócio fundador da LUZ, professor de Excel, consultor e um apaixonado por produtividade. Acredito no poder que temos de ser as nossas melhores versões todos os dias.

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