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Talvez a melhor definição que eu já encontrei sobre jardim digital seja esta: um encontro entre um caderno de anotações e um blog. Porque, em poucas palavras, o jardim digital é um espaço para você dividir seus pensamentos com outras pessoas.

Mas isso não é um blog? Hoje, não mais. O blog acabou ganhando contornos muito comerciais, porque muitas pessoas e empresas começaram a usar essa ferramenta de acordo com as regras de marketing de SEO, apenas para trazer prospects até seu produto ou serviço. No fim das contas, o blog acabou virando uma estratégia de vendas, acima de um espaço para compartilhar conteúdo

Até o nome jardim digital remete a uma outra diferença: o propósito aqui é ser evergreen. Para isso, os jardineiros digitais se mantêm sempre atualizando, editando e renovando suas postagens (ao contrário do blog, cujos posts vão ficando para trás).

Outra característica típica do jardim digital é o modelo de navegação, com um sem-número de links internos, que conectam os posts uns aos outros, desenvolvendo uma trilha de ideias e pensamentos que os leitores podem seguir. 

Além disso, o objetivo principal de um jardim digital é ser leve e dar espaço e ênfase ao texto mesmo, sem se preocupar com o marketing, com o SEO e inclusive com design e layout, o que permite que os seus jardineiros construam-nos com ferramentas de edição bastante simples e intuitivas.

Em resumo, um jardim digital se caracteriza por:

  • conteúdo focado nos pensamentos e ideias do autor
  • postagens atualizadas, ampliadas e renovadas regularmente
  • textos interligados entre si e independentes de ordem cronológica
  • navegação baseada na trilha de ideias propostas pelos links
  • ênfase no texto, com design minimalista

Como criar um jardim digital

Ainda mais simples do que um blog, você não precisa aprender a programar ou codificar para desenvolver um jardim digital. Há diversas plataformas que lhe permitem construir em poucos cliques:

  • Obsidian Publish: possibilita a criação de seu jardim digital em poucos minutos. Você escolhe um nome, algumas anotações e clica em publicar. Seu jardim digital está on. É uma das opções mais completas, capaz de organizar qualquer tipo de conteúdo.
  • Roam Research: você pode utilizar um banco de dados público com o Roam Research para fazer seu jardim digital. Apenas lembre-se de definir como “público”ao criar o banco. Após, obtenha um domínio que redirecione para esse banco de dados.
  • Notion: permite que você crie uma página inicial que direciona para todas as subpáginas, as quais serão todas publicadas ao mesmo tempo. É como um bloco de notas compartilhado via internet. Você também pode usar um domínio personalizado que aponte para seu jardim digital. 
  • TiddlyWiki: esta ferramenta é muito versátil e, com alguns complementos extras, inclui links bidirecionais e gráficos. Seu único porém é que envolve uma etapa a mais, de hospedar seu jardim digital em outro local (de graça, no GitHub, por exemplo). 
  • Softr: aqui, você pode transformar bancos de dados em um jardim digital, por meio de um design agradável e intuitivo, já que a ferramenta oferece diversos modelos de páginas.
  • YDNW: com o nome de You don’t need WordPress (uma referência à ferramenta de postagem de blogs mais usada no mundo), promete transformar seus arquivos do Google Docs em sites.
  • No Code: no mesmo estilo do YFNW, com a proposta de converter docs do Google em sites ou em uma rede privada (modelo intranet). 
  • Sheet2Site: com uma ideia semelhante às duas últimas ferramentas acima, o Sheet2Site se propõe a transformar as planilhas do Google em sites (ao invés dos textos do Docs). É ideal para quem busca criar um jardim digital no estilo lista. 
  • Telescope: trata-se de uma ferramenta simples e minimalista, com design clean, sem feed, somente textos. Conta com um complemento extra que envia textos aos seus leitores, por meio de e-mail ou rss. 
  • Hypothesis: é basicamente um bloco de notas, que pode ser público ou privado, cujo objetivo é marcar trechos de outros sites e incluir comentários a respeito das marcações. Ideal para criar um jardim digital do tipo que critica, analisa ou agrega conteúdos de terceiros. 

Aqui vão alguns exemplos de jardim digital bem sucedido:

Guia mental para organização de seu jardim digital

Já que estamos falando de jardins, vou fazer uma analogia entre um jardim real e um jardim digital, para que você se concentre nas etapas da construção do seu, e entenda onde focar sua atenção em cada estágio da “produção”. 

Sementes

A semente de seu jardim digital deve ser um conteúdo de qualidade que aguce a curiosidade, escrito de maneira inteligente e criativa, mesmo que você (ainda) não queira compartilhar com nenhum leitor.

Plantas

Desenvolva o conhecimento de seu jardim através de galhos que se conectam e levam de um ponto a outro de seu conteúdo. Não crie notas “órfãs”, que não têm conexão com nenhuma outra informação, pois elas estarão totalmente perdidas em seu jardim. Lembre-se que a ideia do jardim digital é justamente criar uma trilha de conhecimento a ser seguida. 

Frutos

Por fim, produza novos conteúdos, além de textos e anotações. Seu conhecimento pode ser compartilhado via vídeos, artigos, podcasts, até mesmo um livro em algum momento. O importante é manter seu trabalho criativo e atualizado, já que seu jardim digital deve permanecer atemporal – evergreen.

Rafael Avila

Carioca, empreendedor, sócio fundador da LUZ, professor de Excel, consultor e um apaixonado por produtividade. Acredito no poder que temos de ser as nossas melhores versões todos os dias.

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