O Bullet Journal (BuJo) é um sistema analógico criado por Ryder Carroll que vai te ajudar a “rastrear o passado, organizar o presente e planejar o futuro”.
No final do dia, essa é uma metodologia que pode alavancar a sua produtividade e que pode ser colocada em prática em qualquer tipo de caderno. Basta usar a estrutura criada pelo Carroll. Esse é um sistema bem legal que pode funcionar como o seu gerenciador de tarefas, planner, diário, coletor de ideias e muito mais!

Para ficar fácil, ele escreveu um livro com o mesmo nome dando o passo a passo que ele acredita ser essencial:
- Preparação
- O Sistema
- A Prática
- A Arte
De maneira geral, o que eu acho mais importante é o propósito do que se escreve e se acompanha no BuJo. O próprio Carroll menciona que a intenção é essencial nesse processo.
O que você precisa para começar com o Bullet Journal
Se você está pensando em adotar um BuJo para o controle do seu dia a dia, acho que vale a pena antes refletir sobre 2 tópicos:
Mentalidade
Vamos começar com a sua mentalidade para usar o BuJo. A ideia é que você controle toda a sua vida em um caderno. Se você for o tipo de pessoa que gosta de fazer anotações e que ama um caderninho, esse é um bom início.
Por isso eu gosto sempre de ressaltar o quanto é importante entender o que você deseja que o Bullet Journal faça por você antes de mergulhar de cabeça no seu uso.
Dito isso, acho que vale bastante a pena fazer um test drive para ver se você se adapta. Assim será possível descobrir quais são suas necessidades com o passar do tempo, entender o que você preencherá no seu BuJo e, aí sim, adotar ele pra valer.
Ferramentas
Se você estiver no caminho certo para experimentar o método Bullet Journal, já pode passar para a análise do que vai usar.
Pra falar a verdade, qualquer caderno e caneta (lápis ou lapiseira) serve. Só se você quiser usar um material já mais preparado para o BuJo que deve buscar algo mais específico, uma dica é dar uma olhada na loja do site do Bullet Journal ou buscar em papelarias aqui pelo Brasil mesmo.
Os 4 Grandes Conceitos do Bullet Journal (BuJo)
Como estamos falando de uma metodologia, vale a pena conhecer onde ela se diferencia de um caderninho de anotações simples que você pode encontrar por ai. Pois bem, existem 4 pilares que constituem a base do Bullet Journal:
- Index
- Coleções
- Registro rápido
- Migração
Index
O index é o nosso bom e velho índice, ou seja, uma lista numerada indicando o que está em cada página do seu Bullet Journal. Para que a indexação funcione bem, você precisa numerar suas páginas ou usar um caderno que já tenha a numeração de fábrica.
Pode parecer besteira, mas essa numeração é essencial para permitir o registro rápido e controle das suas entradas.
Coleções
O que eu mais gosto do BuJo é o conceito de coleções. A ideia é que cada página usada no Bullet Journal receba uma coleção, que nada mais é do que um tópico específico.
Existem 3 tipos principais de coleções que compõem o diário com marcadores:
- Log futuro
- Log mensal
- Log diário
Vamos dar uma olhada no objetivo e no exemplo de cada um desses logs:
Log Futuro
Essa é a coleção para registro de eventos que vão ocorrer em meses futuros. Você pode desenhar o layout que fizer mais sentido para você, mas um exemplo para 6 meses futuros é esse:

Vale a pena também criar uma página em branco para manter eventos e tarefas para os quais você não tem uma data específica em mente, mas sabe que quer fazer em algum momento no futuro.
Log Mensal
Essa é a coleção de tarefas que você gostaria de concluir no mês atual. Aqui é onde você já começar a ser mais detalhista e a listar as principais atividades para os próximos 30 dias.
Uma excelente maneira de fazer isso é desenhando ou usando a estrutura de um calendário:

Log Diário
Como qualquer outro sistema de gerenciamento de tarefas, aqui é onde a mágica acontece. Nessa coleção, diariamente você vai registrando suas tarefas, compromissos, eventos, notas e tudo o mais que precisar fazer.
O legal é que por ser um método super flexível, você pode perder um dia ou outro, fazer da maneira que quiser e no final do dia, ainda terá o Bullet Journal funcional para você. Veja um exemplo de alguns dias de uma semana:

Outras coleções
Como eu já falei, as coleções são grupos de ideias relacionadas. Além dos registros (logs) temporais – Futuro, Mês, Dia, você pode criar diversas outras entradas como:
- Listas (de mercado, de músicas, de livros, etc)
- Novos Logs (de gratidão ou de afirmações positivas)
- Mapas mentais
- Planos (como a roda da vida)
- Desenhos
Registro Rápido
Essa é a base do método Bullet Journal. A ideia ao usar esse sistema é sempre ter uma forma de registro rápido que facilite o uso e preenchimento diariamente. De maneira geral, essas entradas consistem em uma notação abreviada com 2 partes: marcadores e significantes:
Marcadores de tarefas, de eventos e de notas
Os marcadores de tarefa são indicados por um ponto • e podem se transformar de acordo com o que for feito:
- Depois de concluir uma tarefa, marque-a com um X
- Se você não concluiu uma tarefa, migre-a para outra coleção com >
Os marcadores de evento são indicados por um círculo aberto: O. Enquanto os marcadores de notas são indicados por um travessão: –
Significante
Agora que você já entendeu o que os marcadores são, vale a pena entender os significantes, que servem para adicionar um pouco de contexto para o Bullet Journal.
Apesar de não serem obrigatórios, eles vão te ajudar a tornar o seu BuJo mais bonito, visualmente bacana e mais representativo. A sugestão é de colocar à esquerda do marcador. Alguns exemplos de significantes são:
- ! para tarefas urgentes
- ? para dúvidas
- $ para gastos
- @ para local
O mais importante é não ficar preso aos marcadores e significantes que o método Bullet Journal proporciona para você. Como todos os outros métodos existentes, vale a pena criar a sua própria organização.

Migração
Para fechar, o quarto pilar do método Bullet Journal é a migração, que funciona como uma revisão periódica do que está sendo feito, digo isso, pois ela é o ato de mover tarefas entre coleções.
Essa migração pode (e deve) ser feita no final do mês ao preparar o Log do próximo mês. A lógica aqui é sempre fazer um efeito cascata analisando o que está no seu log futuro, passando para o log mensal atual e, em seguida, definindo o que deve ser feito nos logs diários.
Como fazer um Bullet Journal Digital
Apesar de ter sido criado originalmente como um método offline, ou seja, que foi desenvolvido para ser usado de forma analógica, se você quiser, pode levar o Bullet Journal para o mundo virtual.
Por se tratar de um sistema que precisa de entradas diferentes, eu acredito bastante em um encaixe entre o BuJo e o Evernote. Veja um exemplo de uso do Log Diário direto nessa ferramenta online:

Se você quer entender mais de como fazer esse passo a passo, sugiro que dê uma olhada no post como montar um Bullet Journal no Evernote, escrito pela Gabriela Brasil.
Perfis de Bullet Journal no Instagram
Como não poderiam faltar exemplos, tem muita inspiração de como fazer o seu bullet journal que você pode conseguir em perfis do Instagram. Seguem alguns que eu curto (apesar de nem todos estarem atualizados, as referências estão lá):




Conclusão
Independentemente se você gosta mais de ferramentas offline ou online, dar uma olhada no Bullet Journal pode ser um caminho para organizar o seu sistema de controle produtivo.
Particularmente eu gosto do pensamento em cascatas, onde cada detalhe precisa ser pensado em um nível macro (log futuro) e ir passando pelos logs mensais até chegar nos logs diários, onde realmente a execução acontece.






