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O papo de hoje é sobre os desafios do profissional de organização no Brasil. Essa é uma nova categoria que estou criando por aqui com conteúdo de profissionais que trabalham com produtividade e que eu admiro. Esse primeiro convite foi para a Alice Santos da Avesso do Caos e combinamos dela explorar mais esse tema.

Se quiser conhecer um pouco mais da Alice, vale a pena conferir a entrevista que fiz com ela. Então vamos ao que ela pensa sobre o assunto:

Desafios do profissional de organização

Eu estou oficialmente no mercado como uma Profissional de Organização e Produtividade desde 2015 quando fiz o meu primeiro curso de Organização Pessoal e criei a Avesso do Caos. Comecei, como a maioria dos profissionais da área, com a Organização Residencial, para transformar os espaços de maneira funcional e então tornar o dia a dia das pessoas mais prático. Aprendi bastante com a minha professora no SENAC-RJ Halorna Dias, maravilhosa que acabou se transformando em minha parceira na 3D Ordem com a Claudia Gray que também era aluna na mesma turma que eu. 

Eu acabei mudando o foco para a Produtividade e Organização pessoal de Rotina e Objetivos pois tinha mais a ver comigo e com a minha formação e experiências profissionais anteriores e me encantei com esse mercado a ponto de realizar um processo de transição de carreira e passar a viver do meu negócio. Assim como eu, a profissão também vem mudando ao longo dos anos e hoje existem diversos nichos e oportunidades de atuação, cada vez mais empresas investindo, novidades em ferramentas e objetos organizadores, mais profissionais, mais eventos, livros e programas de televisão sobre o assunto.  

Só pra citar alguns exemplos, temos hoje um dos maiores eventos internacionais para profissionais de organização, o Personal Organizer Brasil que este ano se transformou em um congresso online com 7 dias de aproximadamente 40 palestras, 10 painéis, 20 workshops e 2 minicursos, com presença de nomes de peso no cenário nacional e internacional como Thais Godinho, Tamara Myles, Micaela Goes, Carol Rosa, Helena Alkhas, Priscila Saboya, Gil Giardelli, Joshua Becker, Regina Lark, Leslie Josel, Barry Izsak e muitos outros, falando sobre tendências, mercado, desenvolvimento de carreira, negócios e competências comportamentais. 

desafios do profissional de organização - personal organizer brasil

Temos espaço na mídia em programas de televisão nacionais como o “É de casa”, além do “Santa Ajuda” dedicado ao assunto. Sem falar em séries internacionais no Netflix como a da Marie Kondo e mais recentemente o The Home Edit. Empresas como a Dello, Arthi, Imex, Ordene, Dymo, Ou, Leroy Merlim criaram linhas de produtos dedicados a organização, investem em eventos e estreitaram a relação com os profissionais da área. 

Tudo isso porque o mundo tem mudado também em uma velocidade exorbitante: muita informação, atividades, oportunidades, e essa aceleração e sobrecarga tem levado as pessoas em geral ao estresse e adoecimento. Além da pandemia agora em 2020 que fez as pessoas perceberem a importância de cuidar dos seus espaços, rotina e objetivos. A organização ganhou uma importância gigantesca nesse cenário. 

Por outro lado, ainda é tudo muito novo e nem todo mundo consegue entender diretamente os benefícios e o impacto direto da organização na sua realidade particular. Como em todo mercado em crescimento, o aumento da oferta de serviços e produtos acaba confundindo quem está precisando se organizar. E a meu ver é aí que estão os maiores desafios: a conexão com a dor das pessoas, ofertando soluções claras e diretas e a educação do mercado para que seja possível compreender como exatamente a organização pode ajudar cada um. 

Ainda existe muito preconceito com os profissionais de organização e produtividade. No que se refere aos espaços é comum associarem a empregados domésticos, por exemplo, desvalorizando todo o trabalho de análise e otimização dos espaços para além da arrumação, com atenção a funcionalidade e lógica de uso.

Já na produtividade, somos generalizados, comparados e questionados quanto a pressão por uma produtividade tóxica e coaches de alta performance e suas fórmulas prontas. Como em todo mercado, temos profissionais de todo tipo e cabe a cada um perceber qual conecta mais com a sua verdade e jeito de ser. Essa é a beleza do mercado. Claro que é preciso também ter cuidado, já que a profissão ainda não é reconhecida ou regulamentada e podem existir pessoas atuando sem nenhuma formação ou conhecimento técnico se auto-denominando profissional de organização.  

De qualquer forma, entender a organização como um estilo de vida e voltar o olhar para si mesmo e suas necessidades é o caminho e aos poucos o mercado está começando a perceber isso. Na prática, os profissionais, as empresas, os produtos, aplicativos, métodos, são apenas apoio e devem te ajudar ao invés de ser você a se adaptar a novas realidades e fórmulas prontas. É cada um perceber a organização como um caminho de auto desenvolvimento e não como algo pontual que vai resolver todos os problemas imediatamente. 

E qual é a sua visão sobre o assunto?

Particularmente eu concordo bastante com essa visão da Alice, por ser um mercado novo, você vai ver de tudo um pouco e, em um mundo onde a quantidade de conteúdo, informação e profissionais só cresce, é essencial ter uma capacidade crítica para entender quem está mais alinhado aos seus valores e realmente pode ajudar nessa empreitada.

Se você for um profissional de organização, se já tiver contratado um ou se quiser compartilhar sua opinião sobre esse mercado em franco crescimento, me fale um pouco mais nos comentários.

Rafael Avila

Carioca, empreendedor, sócio fundador da LUZ, professor de Excel, consultor e um apaixonado por produtividade. Acredito no poder que temos de ser as nossas melhores versões todos os dias.

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